Reflexão: Excedemos o nível aceitável de vaidade?

A crítica realizada pela marca americana Hood by air durante a sua apresentação na semana de moda de Nova Yorque, me pôs pra pensar: quando é que a vaidade deixa de ser saudável e passa a ser uma doença? Como diferenciar a intenção inofensiva de se cuidar da obsessiva ganância de alcançar um padrão inatingível?  Qual é a linha que separa as duas coisas?

De um tempo pra cá tenho visto o assunto beleza se apresentar na mídia de uma maneira cada vez mais agressiva e, embora ame a indústria da beleza e leve ela muito a serio, me preocupo com o efeito que tudo isso tem causado nas pessoas.

Só eu percebi que os artigos sobre cirurgias plásticas e procedimentos semelhantes, estão ganhando uma linguagem cada vez mais descontraída? Só eu que notei que conforme as tendências vêm e vão, as mulheres cedem ao desejo de se aperfeiçoarem e a necessidade insaciável de agradar os outros?

Como foi que chegamos a esse ponto? O que nos levou a gastar tanto dinheiro em nome da nossa aparência? Saí em busca de respostas. Algumas me fizeram refletir ainda mais, outras tranquilizaram meu coração e ainda outras me levaram a pensar que esse é só o começo e que as coisas podem melhorar ou piorar, dependendo do ponto de vista.

Um levantamento que o website francês aufeminin.com realizou entre 8.600 mulheres em 2010 mostrou que 25% das entrevistadas se declaram “viciadas em beleza”, confessando que raramente saem de casa sem colocar pelo menos uma camada de máscara de cílios. Outro dado afirma: a indústria mundial de beleza equivale a mais de 350 bilhões de dólares por ano, cuja a maior parte é gerada por produtos para a pele.

O sociólogo Jean-François Amadieu comenta essas informações:

 

“Embora as pessoas afirmem que fazem dieta, praticam esportes, submetem-se a cirurgias, usam maquiagem e vestem as roupas da moda apenas pensando em si mesmas, para se sentir bem consigo mesmas ou diante do espelho… na realidade, elas estão mais do que nunca influenciadas pelas normas da sociedade, da moda e da propaganda.”

(“La beauté aujourd’hui, c’est quoi?)

www.influencia.net, 8 de setembro de 2010

Não sei se concordo. Minha ingenuidade ainda me permite acreditar que existem mulheres que se arrumam simplesmente pra se sentir bem. Penso ser uma delas.

Um estudo publicado pelo New York Times revelou que uma mulher bem arrumada e bem maquiada exala confiança, respeito e tem muito mais chances de se destacar no mercado de trabalho do que as mulheres que não usam nenhum tipo de maquiagem (mulheres que usam maquiagem demais, por outro lado, parecem menos confiáveis).

Pois então? Que lado nós devemos ficar? Do lado em que nos põe na difícil posição de alienadas e vitimas do marketing? Ou ficamos do lado que defende que usar maquiagem ajuda na nossa autoestima e passa uma mensagem positiva a nossos colegas de trabalho?

Eu não sei você, mas eu fico do lado do bom senso. Sempre.

O bom senso sempre vai te ajudar a perceber que não é preciso abarrotar a penteadeira com produtos, nem passar por inúmeras cirurgias plásticas para se amar de verdade. É possível ser feliz com quem você é e com o que você já tem. Garanto que esse contentamento vai resultar em uma experiência divertida e recompensadora, tanto pra alma, quanto para o seu bolso.

E aí, o que vocês acham? Comentem!